quarta-feira, 2 de maio de 2012

Santa Casa (RJ) terá avaliação gratuita de autismo; doença deve ser identificada o quanto antes.


Problemas de comunicação, isolamento social, movimentos repetitivos, déficit intelectual ou nível de inteligência acima do normal. Esses são alguns dos sintomas do autismo, transtorno que atinge um em cada 150 recém-nascidos no Brasil e que deve ser identificado o quanto antes. No Rio, um novo ambulatório da Santa Casa vai oferecer, a partir do dia 10, serviço gratuito de diagnóstico precoce da doença.

A doença costuma se manifestar ainda no primeiro ano de vida. Diante do diagnóstico, especialistas alertam para a importância de agir rápido. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, maior a evolução dos pacientes.
- Se o transtorno for identificado antes dos 3 anos, pode-se alcançar melhora de até 80% - afirma Fabio Barbirato, chefe de psiquiatria infantil da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.

Para identificar possíveis sinais de autismo, os pais devem ficar muito atentos a atitudes e interesses do filho.
- Normalmente, autistas não respondem a estímulos como responder quando são chamados ou olhar para um objeto que é apontado - explica Fábio Barbirato.
Mãe de Paulo Igor, de 18 anos, a dona de casa Iranice Pinto, de 46 anos, só descobriu que o filho tinha autismo quando ele tinha 6 anos. Ela começou a peregrinar atrás do tratamento adequado.
Depois de estudar sobre o assunto, hoje ela é a presidente da Associação Mão Amiga, instituição sem fins lucrativos criada em 2000, que orienta pais e oferece atividades para crianças e adolescentes que têm a doença.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/saude-e-ciencia/santa-casa-tera-avaliacao-gratuita-de-autismo-doenca-deve-ser-identificada-quanto-antes-4779905.html#ixzz1tk9ysBv5

Paulo Igor e mão, a dona de casa Iranice Pinto
Vídeo: Toda Criança é única


Autismo: intervenções psicoeducacionais



Este artigo traz exemplos de intervenções e abordagens múltiplas que contribuem no tratamento de autistas. Segundo Bosa o tratamento deve ser estruturado de acordo com as etapas de vida do paciente. Com crianças pequenas, a prioridade deveria ser terapia da fala, da interação social/linguagem, educação especial e suporte familiar. Já com adolescentes, os alvos seriam os grupos de habilidades sociais, terapia ocupacional e sexualidade. Com adultos, questões como as opções de moradia e tutela deveriam ser focadas.
A autora coloca  que a eficácia do tratamento depende da experiência e do  conhecimento dos profissionais sobre o autismo e, principalmente, de sua habilidade de trabalhar em equipe e com a família.
Realizando uma pesquisa na literatura médica, cita estratégias básicas de tratamentos. 

1. Estimular o desenvolvimento: Crianças com dificuldade de comunicação verbal necessitam alguma forma de comunicação alternativa. 

- sistema de sinais: depende das habilidades da crianças e do grau de comprometimento;
- sistema de figuras: as figuras e fotos refletem as necessidades e interesses individuais não exigindo muita habilidade cognitiva, lingüística ou de memória;
- pais utilizam estratégias efetivas e consistentes para estimular e encorajar a fala: pode ser deixado doces, biscoitos, brinquedos longe do alcance, mas próximo a sua vista para que estimule a verbalização do seu desejo.
- Comunicação facilitada: fazem o uso de apoio físico para as mãos, braços ou pulsos a fim de auxiliar as crianças a utilizar cartões de comunicação de vários tipos, desta forma melhorando as habilidades de linguagem.
- Dispositivos de comunicação computadorizados: têm sido especialmente projetados para crianças com autismo. O foco desta em ativar a alternância dos interlocutores e em encorajar a interação.
- TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children): é um programa educacional que combina diferentes materiais visuais para aperfeiçoar a linguagem, o aprendizado e reduzir comportamentos inapropriados. Utilizam cores Áreas e recipientes de cores diferentes para instruir as crianças sobre o lugar apropriado para elas estarem em certo momento e qual a correspondente seqüência de atividades durante o dia, na escola.

Mesmo crianças sem dificuldades de linguagem evidentes podem também requerer alguns sistemas potencializadores da comunicação, em algumas situações. Perguntas repetitivas pode relacionar-se à necessidade de ser sociável sem ter os instrumentos apropriados que os ajudariam a compreender as mentes das outras pessoas.
  
2. Aprimorando o aprendizado e a capacidade de solucionar problemas

- alguns estudos sugerem que, com educação apropriada, mais crianças autistas são capazes de utilizar as habilidades intelectuais que possuem para avançar em níveis acadêmicos;
- Há evidência de que prover educação formal de forma precoce, a partir dos dois aos quatro anos, aliada à integração de todos os profissionais envolvidos, é a abordagem terapêutica mais efetiva. Essas estratégias auxiliam a minimizar ou evitar problemas comportamentais subseqüentes, pois as crianças aprendem rapidamente que seus comportamentos podem servir como um meio para controlar o seu ambiente.
- método de Lovaas: É um programa comportamental intensivo, geralmente realizado na casa da criança, com pelo menos 20 horas semanais de trabalho educacional. São trabalhadas diferentes áreas do desenvolvimento como a linguagem, aspectos cognitivos, comportamento social, etc. Impõe algumas restrições a família. 

 3. Diminuindo comportamentos que interferem no aprendizado e no acesso às oportunidades para experiências do cotidiano:

- Alguns estudos demonstraram que os comportamentos desafiadores têm funções comunicativas importantes, que são: indicar a necessidade de auxílio ou atenção; escapar de situações ou atividades que causam sofrimento; obter objetos desejados; protestar contra eventos/atividades não-desejados; obter estimulação. O conhecimento de que os comportamentos desafiadores são uma forma de comunicação também permite que as pessoas respondam melhor a esses comportamentos, pois elas sabem que eles são evocados devido à comunicação pobre e, portanto, não são atos deliberados de agressão. Existem abordagens que auxiliam a comunicação diminuindo os comportamentos agressivos.
- alguns comportamentos dos autistas podem se tornar inapropriado. Algumas atitudes não devem ser demasiadamente encorajadas, já que podem aumentar e interferir no processo de aprendizagem se não forem colocadas sob controle. É necessário um planejamento cuidadoso.
- É importante que a modificação de comportamentos desafiadores seja feita gradualmente, sendo a redução da ansiedade e do sofrimento o objetivo principal;
- O mais eficaz é deixar que as crianças se observem e interagem
espontaneamente.
  
4. Ajudando famílias a lidar com o autismo
- geralmente as mães ficam sob responsabilidade do cuidado da criança com autismo. Estudos mostram têm essa responsabilidade quase que toda sobre si devido as diferentes responsabilidades atribuídas a cada genitor na criação da criança.
- O estabelecimento de rotinas familiares ajuda a crianças a entender evitar o estresse parental;
- Troca de informações em nível interpessoal ajudam no suporte emocional e um senso de pertencer a uma rede social onde operam a comunicação e compreensão mútua;
- Grupos de apoio com auxilio de profissionais especializados podem dar suporte para as famílias a lidarem com a criança, formas de tratamentos, suas vantagens e desvantagens.

5. A importância do diagnóstico precoce

- as preocupações dos pais e dos profissionais recaem mais no atraso na fala da criança do que nos aspectos sociais do comportamento. Outros diagnósticos podem ser confundidos;
- aos três anos de idade, as crianças tendem a preencher os critérios de autismo em uma variedade de medidas diagnósticas. Novos estudos estão sendo realizados afim de que este diagnostico seja feito em crianças bem pequenas, uma vez que o desenvolvimento de tratamentos e estratégias de comunicação efetivas, em um estágio precoce da vida auxiliam a prevenir o comportamento agressivo.
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O que se conclui com este artigo é de que não existe uma única abordagem que seja totalmente eficaz para todas as crianças, em todas as diferentes etapas da vida. Uma intervenção específica que pode ter um bom resultado em certo período de tempo pode apresentar eficácia diferente nos anos seguintes, isso porque as famílias alteram suas expectativas e valores com
relação ao tratamento das crianças de acordo com o desenvolvimento
delas e do contexto familiar. É importante a identificação e intervenção precoce do autismo, seu desenvolvimento, não se esquecendo que o foco deve ser feito em toda a família. 

BOSA, Cleonice Alves. Autismo: Intervenções psicoeducacionais. Revista Brasileira de Psiquiatria.Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre (RS), Brasil 2006;28(Supl I):S47-53.



terça-feira, 1 de maio de 2012

Remédio ameniza características do autismo


Duas das principais características do autismo são as ações repetitivas e a falta de sociabilidade. Estes fatores são controlados por uma substancia química glutamato presente no cérebro. Cientista norte-americanos fizeram testes com uma droga que regula a ação do glutamato e objetivam resultados positivos. A equipe de cientistas realizou esta pesquisa no Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos. Utilizaram ratos modificados geneticamente de forma que ficassem com autismo, a substancia química GRN-529 foi injetada e controlou comportamentos de repetição e social dos ratos. Os cientistas analisaram que esta intervenção pode ser eficaz no tratamento dos sintomas do transtorno do autismo, mas dizem que são preciso muitos estudos ainda.

O Tratamento com medicamentos é indicado para casos que há problemas neurológicos ou psiquiátricos relacionado ao autismo. Os remédios também são indicados para sintomas que interferem no cotidiano quando apresenta hiperatividade, transtorno do sono e agressividade. Como existem vários níveis de autismo, a terapia deve ser individualizada. Um dos métodos de intervenção mais conhecidos e com comprovação cientifica é programa que combina diferentes materiais visuais para organizar o ambiente físico por meio de rotinas e sistemas de trabalho de forma a tornar o local mais compreensível.

Esta pesquisa mostra que há chances de que uma intervenção farmacológica alivie os vários sintomas comportamentais do transtorno, mas é preciso cautela.

Que ver esta entrevista na íntegra acesse  http://www.em.com.br

LUNA, Thaís. Remédio ameniza características do autismo. Estado de Minas, Belo Horizonte, 26/04/2012, Gerais: Saúde, p. 28.

Veja também - Uma luz para a cura do altismo